terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dizem que sua profissão é irrelevante?



É PRECISO FALAR MAIS ALGUMA COISA?

Criação da arte é de propriedade intelectual de:
Simoni Aquino
Consultora em Gestão Estratégica de Pessoas

domingo, 21 de outubro de 2012

Agradecimento: Finalista do TOPBLOG 2012

Olá, caríssimos leitores!

Estou aqui hoje para agradecer imensamente por cada voto que o BLOG ALÉM DO RH recebeu e o colocou entre os "100 melhores blogs na categoria Notícias e Cotidiano" do Prêmio TopBlog Brasil 2012 - Empreendedorismo Digital que o credenciou a participar do 2º turno, que irá até o dia 10 de novembro.

Meus mais sinceros agradecimentos pela votação recebida!

Lógico que gostaria que meu blog fosse votado, mas estar entre os 100 melhores me surpreendeu demais, pois este blog tem apenas 7 meses e meio de existência e fala sobre um tema sério e por vezes impopular. Acredito que, seja o reconhecimento de um trabalho realizado com muita seriedade, respeito e profissionalismo. Além de empatia!

Gostaria de contar com os votos de meus leitores nesta 2º fase!

Continuem votando no Blog Além do RH através do selo ao lado -->

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Milho de Pipoca, por Rubem Alves

Como amplamente divulgado no Blog, participo dos Grupos de Estudos promovidos pela ABRHSP (Associação Brasileira de Recursos Humanos/SP) Regional Baixada Santista e na última quarta-feira tivemos o encontro do Grupo de Coaching II, o tema abordado foi Liderança Coach que foi apresentado pelas colegas de RH: Adriana Souza, Eliana Costa e Luciana Bezerra.

Através da breve apresentação do contexto histórico de 512 anos de Brasil, foi apresentado os modelos de liderança utilizados ao longo do tempos, passeando pelos vários estilos de líderes e abordando os modelos mais eficazes na atualidade: Situacional e Coach - focando obviamente na Liderança Coach muito em voga na atualidade e considerada a mais humana e eficaz.

A apresentação foi realizada através de um conceito lúdico utilizando vídeos, cases e discussão sobre lideranças e comportamento dos líderes. Na finalização, o grupo teve o cuidado e atenção em nos presentear com um singelo saquinho contendo milho, acompanhado da crônica Milho de Pipoca do escritor Rubem Alves. 

Achei a ideia fantástica e resolvi postar essa mensagem aqui no Blog Além do RH, agradecendo à Deus por meu envolvimento com a ABRH que me permite vivenciar momentos inigualáveis de grande aprendizado, companheirismo e ainda de conviver com profissionais que sabem "o que é ser RH de verdade".
Simoni Aquino

Fonte da imagem: Internet
"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. 
Assim acontece com a gente. 
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. 
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! 
Sem fogo, o sofrimento diminui. 

Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais  quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.

Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem  aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!

E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. 

A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No  entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Em vez de sofrer pelas modificações que ainda não consegue, sinta-se grato pelas mudanças que já realizou." 

Rubem Alves 
Extraído do livro "O amor que acende a lua".  

Mutação do grão do milho em pipoca

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Headhunting e headhunter. Você os compreende?

por Simoni Aquino 
Fonte da imagem: Internet
Headhunting significa “caçando cabeças”. Também conhecido como Executive Search é um serviço especializado de identificação e indicação e recrutamento e seleção de “executivos” para ocupar cargos de alto escalão em aberto nas empresas. Esse serviço é contratado pelas empresas que necessitam dos executivos, portanto não é um serviço voltado à Pessoa Física.

Headhunter significa “caçador de cabeças” e são profissionais especializados em headhunting. São contratados pelas empresas para “caçar” no mercado de trabalho, profissionais que a empresa-cliente precisa admitir, buscam os executivos top de linha e normalmente trabalham com nomes de profissionais pré-estabelecidos e almejados pela empresa contratante.

CONTEXTO HISTÓRICO 
O primeiro headhunter de que se tem conhecimento foi Thorndike Deland, que surgiu no mundo corporativo americano nos anos 20 atuando no recrutamento de profissionais para os escalões inferiores de organizações privadas e para o Depto. de Guerra dos EUA.

Já nas décadas de 50 e 60, surgiram outros headhunters que conquistaram amplo reconhecimento: Em 1951 - Ward Howell e Canny Bowen (ambos originários da renomada empresa de consultoria McKinsey & Cia); em 1953 - Sidney Boyden, Heidrick e Struggles; em 1956 - Spencer Stuart (os quatro foram ex-consultores da Divisão de Recrutamento e Seleção da Booz Allen & Hamilton); em 1969 - Korn and Ferry (ex-consultor da Peat Marwick Mitchell) e Russell Reynolds (ex-bancário).

Todos se destacaram não só pelo caráter, nível de profissionalismo, visão holística ou pelos conhecimentos profundos sobre o negócio, mas também pela sólida rede de relacionamentos que construíram ao longo de suas carreiras, especialmente com os altos escalões das organizações.

A década de 70 para os headhunters foi essencial, pois marcou a expansão de suas atividades de negócios em escala mundial, aproveitando a expansão da economia global e local o que possibilitou a instalação de escritórios de headhunting na Europa, Ásia e América do Sul. Atualmente, o Brasil conta com grandes empresas nacionais e multinacionais de Headhunting desfrutando de boa reputação já que prestam serviços sérios e consolidados a seus clientes. 

ÉTICA DO PROCESSO
Existem vários críticos em relação à atuação ética do processo de headhunting uma vez que o foco dos headhunters são os profissionais que estão trabalhando em concorrentes de seus clientes e, portanto a tradução “caçador de cabeças” virou sinônimo de “ladrão de profissionais”.

Alguns empresários comparam a prática de headhunting à espionagem industrial ou concorrencial e portanto a considera antiética, já que é capaz de desestabilizar uma empresa que está indo bem em sua gestão, pois o executivo que está focado em sua atuação passa a ser assediado por algum headhunter e sua saída, que não estava em seus planos naquele momento, passa a ser considerada, já que o concorrente oferece remuneração, desafio profissional, autonomia e condições de trabalho às vezes mais atrativas do que sua realidade atual, consideram que esse assédio pode inclusive comprometer a performance do executivo.

Sem entrar no mérito de questões éticas, uma coisa devemos analisar e ponderar: nenhuma empresa é dona de seu quadro de colaboradores, ou seja, o executivo não é um bem permanente e tem o direito de decidir o que é melhor e mais adequado para a sua carreira profissional e se é o momento de deixar ou permanecer na empresa atual - ou na que o deseja. Além do mais, se existem consultorias especializadas em headhunting, é por que há demanda e se há demanda é por que existem empresários solicitando este serviço especializado. 

COMPETÊNCIAS DO HEADHUNTER
* Identificar, conhecer e refletir sobre o mercado de trabalho e a mão de obra executiva em todos os segmentos;
* Conhecer e aprimorar técnicas de negociação e habilidades de persuasão, investigação, rastreamento, monitoramento, recrutamento e seleção de executivos (especialmente os profissionais já colocados);
* Utilização, tabulação de testes comportamentais específicos para executivos;
* Confidencialidade, é absolutamente necessário o sigilo das informações não só em relação às empresas concorrentes de seu contratante, mas também em relação à integridade do seu profissional/candidato.

SINERGIA ENTRE HEADHUNTING E OUTPLACEMENT
Num dos artigos anteriores, foi abordado o Outplacement e já compreendemos como se dá esse processo e sua abrangência. Já que os headhunters realizam uma varredura no mercado à procura de executivos para seus clientes, podem estabelecer uma relação sinérgica com os especialistas de outplacement em busca de indicações, uma vez que ambos se beneficiam dessa relação de parceria.

Os headhunters ganham, porque são contratados pelas empresas para buscarem executivos de acordo com o perfil de seu cliente para preencher a posição em aberto e; os consultores de outplacement também ganham, porque através dos headhunters realizam a ponte entre o profissional que estão acompanhando e o mercado de trabalho. 

CARACTERÍSTICA ESSENCIAL – E SUA REAL ATUAÇÃO
A principal característica do processo de Headhunting são as técnicas de rastreamento de profissionais que estão trabalhando, pois são esses os executivos alvos deste processo.

Hoje existem profissionais se colocando como headhunters e oferecendo seus serviços a profissionais disponíveis e de qualquer nível hierárquico. Fuja desses profissionais, são pseudo-headhunters. Os verdadeiros headhunters trabalham apenas com o alto escalão e preferem os executivos empregados, somente após esgotados os nomes dos executivos empregados é que eles partem em busca dos executivos desempregados.

Como a consultoria de headhunting é contratada pela empresa que precisa contratar o executivo, nenhum headhunter deve cobrar nenhum valor de pessoa física, ou seja, do profissional escolhido, apenas cobrará da própria empresa contratante de seus serviços.

Se o profissional disponível for abordado por algum headhunter e este cobrar por seus serviços, já sabe: tome cuidado!

Abaixo algumas reportagens sérias que abordam este assunto:



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia do Professor: Lembremos o Discurso da Profª Amanda Gurgel

por Simoni Aquino
Arte: Alex Bonfim
 
Como filha de professora, a educação sempre foi importante em minha família. Não fui criada somente por uma excelente mãe, o que já é uma dádiva, mas também por uma educadora rigorosa, que buscava formar cidadãos. Minha heroína se foi há 18 anos, mas seus valores estão presentes em minha vida, não só para honrá-los, mas especialmente como forma de homenageá-la.

Este blog fala sobre mercado de trabalho e RH, mas especialmente sobre Gestão de Pessoas; e acredito que GP inicia-se na escola na figura de nossos professores e se estende aos bancos universitários. A Gestão de Pessoas em nível corporativo depende da educacional e são poucos os que fazem essa ligação.

O mercado de trabalho está acirrado e é incontável o número de profissionais desempregados, mesmo os que tem nível superior, o que para alguns não é diferencial já que não conseguem pôr em prática o aprendizado adquirido (através do CHA). Talvez porque nossa educação é fraca, pelo baixo investimento governamental (não é crítica a nenhum governo específico, já que este é um problema de décadas), mas sem falar no próprio desinteresse dos alunos pois para alguns, o que vale é tirar o "diploma".
Quem nunca viu os bares em frente às faculdades lotados de alunos em pleno horário letivo? E os alunos que levam à sério em dias de prova ainda sofrem assédio para "passar cola" aos que não assistem as aulas. 
Mas isso não é da minha conta, só sei que nunca matei aula e nem precisei colar em provas! Mas o fato, é que isso tudo se reflete no mercado de trabalho!

Retomando, hoje homenageio os professores (e minha mãe) trazendo o discurso da Profª Amanda Gurgel proferido na Assembleia Legislativa de RN em 10.05.11, que não deve ser encarado como um discurso local, mas algo que sintetiza a educação nacional. Palavras corajosas de alguém que fala com propriedade, pois traz a realidade da educação atual. A intenção não é humilhar os professores em seu dia, mas valorizá-los! Pois um profissional que passa pelo que passa e ainda busca fazer o seu melhor, merece todo o nosso respeito!

E fica a dica aos profissionais que buscam formação universitária só pelo diploma: Cuidado! O mercado de trabalho está cobrando um preço muito caro por isso...

"Bom dia a todas e todos!
Durante cada fala aqui eu pensava como organizar a minha fala. São tantas questões aqui colocadas e angústias do dia a dia de quem está em sala de aula e quem está em escola, eu queria pelo menos sintetizar minimamente essas angústias.

Como as pessoas apresentam muitos números e sempre colocam que os números são irrefutáveis, gostaria também de apresentar um número pra iniciar a minha fala. Que é um número composto por 3 algarismos apenas, bem diferente dos números que são apresentados aqui com tantos algarismos (se referindo aos parlamentares da Assembleia Legislativa) que é o número do meu salário: Um nove, um três e um zero que é meu salário base - R$930,00.

Aí eu queria fazer uma pergunta a todas e todos que estão aqui sem nível superior com especialização: se vocês conseguiriam, mas só respondam se não ficarem constrangidos obviamente, se vocês conseguiriam sobreviver ou manter o padrão de vidas que vocês mantém com este salário de R$930,00? Não conseguiriam. Certamente esse salário não é suficiente pra pagar nem a indumentária que os senhores e as senhoras utilizam pra frequentar esta casa aqui, não é?

Assim, minha fala não poderia partir de um ponto diferente desse, porque só quem está em sala de aula, só quem está pegando três ônibus por dia para chegar ao seu local de trabalho, ônibus precário inclusive, é que pode falar com propriedade sobre isso. Fora isso, qualquer colocação que seja feita aqui, qualquer consideração que seja feita aqui é apenas para mascarar uma verdade, que é uma verdade visível a todo mundo: que é o fato de que em nenhum governo, em nenhum governo que nós tivemos no nosso Estado (Rio Grande do Norte), na nossa cidade, no nosso país, a educação foi uma prioridade. Em nenhum momento. Então me preocupa muitíssimo a fala da maioria aqui, inclusive da secretária Betânia Ramalho, com todo respeito, que é: “não vamos falar da situação precária porque isso todo mundo já sabe”.

Como assim não vamos falar da situação precária? Gente! Nós estamos banalizando isso daí, estamos aceitando a condição precária da educação como uma fatalidade. Estão me colocando dentro da sala de aula com um giz e um quadro pra salvar o Brasil? É isso? Salas de aulas super lotadas com os alunos entrando a cada momento com uma carteira na cabeça, porque não tem carteira nas salas. Sou eu a redentora do país? Não posso, não tenho condições. Muito menos com o salário que eu recebo!

A secretária disse ainda: “que nós não podemos ser imediatistas, ver apenas a condição imediata, precisamos pensar a longo prazo”, mas minha necessidade de alimentação é imediata, a minha necessidade de transporte é imediata, a necessidade de Jéssica de ter uma educação de qualidade é imediata.

Eu gostaria de pedir aos senhores, inclusive, que se libertem dessa concepção errônea, extremamente equivocada, isso eu digo com propriedade, sou eu que estou lá, inclusive além, propriedade maior até que os grandes estudiosos. Parem de associar qualidade de ensino da educação com o professor dentro da sala de aula, parem de associar isso daí. Porque não tem como você ter qualidade em educação com professores três horários dentro de sala de aula. Porque é assim que os professores multiplicam os R$930,00. R$930,00 de manhã, R$930,00 à tarde e R$930,00 à noite pra poder sobreviver. Não é pra andar com bolsa de marca ou usar perfume francês, é pra ter condição de pagar a alimentação dos seus filhos, é pra poder pagar a prestação de um carro, que muitas vezes eles compram pra poder se locomover mais rapidamente de uma escola a outra. E eles precisam escolher o dia em que vão andar de carro, porque não tem condição de comprar o combustível.

A nossa realidade, o cenário da educação no Rio Grande do Norte hoje é esse. Não me sinto constrangida em apresentar o meu contra cheque, nem a aluno, nem a professor e nem a nenhum dos senhores aqui. Porque eu penso que o constrangimento deve vir de vocês. Sinto muito, eu lamento mas deveriam todos estar constrangidos. Entra governo e sai governo, peço desculpa mais uma vez a você Betânia, mas não tem novidade na sua fala. Sempre o que se solicita da gente é paciência, é tolerância e eu tenho colegas que estão aguardando pacientemente há 15 anos, há 20 anos por uma promoção horizontal. Professores que morrem e não recebem uma promoção.

Então, eu quero pedir à secretária, em primeiro lugar paciência também, porque nós não aguentamos mais esse discurso, não aguentamos! O que queremos é objetividade, como que é? Queremos sair desse impasse. Queremos, mas como? Sem nenhuma proposta, de mãos abanando. Voltar mais uma vez desmoralizado pra sala de aula pro aluno dizer: “professora, nós ficamos aqui sem ter aula e só isso que vocês receberam: R$20,00 ou R$30,00? E dão risada!

Pedimos ainda secretária: Respeito! Para que a senhora não vá mais a mídia dizer assim: “pedimos flexibilidade” como se nós fôssemos os responsáveis pelo caos, que na verdade só se apresenta pra sociedade quando estamos em greve, mas que está lá, todos os dias dentro da sala de aula, dentro da escola e em todos os lugares. Respeito! Não se refira a nossa categoria dessa forma, não se refira, nem se refira apenas como se fosse à direção do SINDE que está querendo fazer essa greve, não é não, são 90% da categoria.

90% da categoria no Estado inteiro, nos interiores e aqui na capital. Pedimos aos deputados, apoio. Estejam mais presentes, participem ali, vão à nossa Assembleia, procurem ouvir os trabalhadores, procurem saber a realidade. Pedir à promotoria que esteja com a fiscalização efetiva, ao Ministério Público, mas que não seja pra dizer: “professor não pode comer desse cuscuz não porque é um cuscuz alegado”, o cuscuz que a gente come, o cuscuz da merenda. Porque a promotoria está ali pra dizer que a merenda é do aluno não é do professor, é assim que funciona.

Diga-se de passagem, nós não temos recurso para nos alimentar diariamente fora de casa, não temos pra isso. São muitas questões mais complexas, questões muito complexas que poderiam ser colocadas aqui, mas infelizmente o tempo é curto e eu gostaria de solicitar isso em nome dos meus colegas que comem o cuscuz alegado, em nome dos meus colegas que pegam três ônibus pra chegarem ao seu local de trabalho, em nome de Jéssica que está sem assistir aula nesse momento, mas que fica sem assistir aula por muitos outros motivos: por falta de professor, por falta de merenda… 

É isso que eu quero dizer…"


 Assista ao vídeo do discurso da Profª Amanda Gurgel

Caso queiram conhecê-la o link para seu Blog é: 

domingo, 14 de outubro de 2012

Outplacement. Você compreende?

Fonte da imagem: internet
por Simoni Aquino

No artigo anterior,  foi abordado sobre "consultorias" que cobram de candidatos para participar de processos de seleção e para que não haja confusões, hoje abordarei um trabalho sério que não deve ser confundido com outros processos de apoio à recolocação de profissionais.

O Ouplacement é um termo ainda incompreendido por muitos profissionais (até mesmo por quem é da área de RH e que deveria saber) e que geram dúvidas e controvérsias sobre o papel desempenhado por esses profissionais e sobre a abrangência de sua atuação.

O outplacement não é relativamente novo, foi criado na década de 60 nos EUA e teve como objetivo ser uma ferramenta na Gestão de RH de empresas dos segmentos aeroespacial e eletroeletrônico visando auxiliar cientistas e engenheiros em busca de recolocação no mercado de trabalho, que foram demitidos devido à crise vivida pelos segmentos nessa época. Essa ferramenta chegou ao Brasil nos anos 80, em 1990 as primeiras consultorias especializadas se instalaram por aqui e hoje o processo é utilizado por grandes empresas.

SIGNIFICADO
Outplacement significa “saída e recolocação”, ou seja, são os serviços de orientação e apoio especializado para que executivos demitidos possam encontrar recolocação no mercado de trabalho.   
De acordo com a AOCFI (Association of Outplacement Consultancy Firms International), que é a associação que regula internacionalmente essa atividade, o Outplacement é um processo que estrutura as bases profissionais, com o objetivo de auxiliar o profissional a compreender sua dispensa de forma humanizada e a vislumbrar o mercado de trabalho de modo consciente, racional e organizado para que possa conquistar sua recolocação em curto espaço de tempo e com mínimo impacto negativo. 

MODALIDADES 
Outplacement individual O processo tem como objetivo oferecer suporte ao executivo que será desligado e normalmente o processo se estende até que o profissional consiga recolocação no mercado de trabalho.
Outplacement em grupo Essa modalidade ocorre em casos de demissões que abrangem um número maior de profissionais, que ocorrem quando das aquisições, fusões e processos de reestruturação organizacional. É a alternativa mais comum quando as demissões envolvem profissionais de posições gerenciais.

INÍCIO DO PROCESSO
O processo inicia-se antes mesmo do executivo tomar conhecimento da sua dispensa. O alto escalão decide pelo desligamento do executivo e comunica a decisão para o RH, que fará a intermediação entre a empresa e a consultoria especializada em outplacement, elaborando o planejamento das ações que serão realizadas durante o processo.

Antes que os desavisados reclamem das demissões, informo que não entrarei no mérito da decisão do desligamento dos profissionais de forma geral, não cabe nem a mim e nem a ninguém julgar as empresas, pois elas são soberanas em suas decisões e sabemos que existem centenas de motivos que as levam a demitirem seus colaboradores. 
Ainda hoje vemos, absurdamente profissionais reclamando da "injustiça" dos desligamentos, como se as empresas não pudessem decidir pelo futuro organizacional que melhor lhes convêm. Absurdo é o profissional em pleno século XXI ainda considerar que demissões são injustas, de não ter o mínimo de senso crítico em reconhecer que os contratos de trabalho são uma via de mão dupla e que podem ser rescindidos a qualquer momento, aliás esta é uma abordagem realizada do ponto de vista legal, basta consultar a CLT.

COMUNICAÇÃO DO DESLIGAMENTO 
O desligamento é realizado com a máxima transparência, sem omitir informações sobre o motivo real da dispensa e após a comunicação dá-se início ao trabalho efetivo de outplacement. O profissional especialista em outplacement irá orientar, assessorar e preparar o executivo demitido na redefinição de sua trajetória profissional seja na busca por outro emprego, atuação como consultor, opção pela abertura de negócio próprio – ou até mesmo da aposentadoria se for o caso.

BENEFÍCIOS
Quando a empresa opta pelo Outplacement, é sinal de respeito e dignidade. É saudável para ambos os envolvidos: organização e profissional demitido.

Empresa - Contribui para consolidar uma imagem positiva da empresa, pois demonstra o reconhecimento do trabalho executado pelo profissional egresso e também por que atua de forma socialmente responsável e em sintonia com as novas demandas do mundo atual. Além do mais, favorece a qualidade do clima organizacional para os colaboradores que permanecem na empresa, pois enxergam a preocupação da empresa com o profissional que está sendo desligado. 
Executivo dispensado - Representa um essencial diferencial competitivo frente à seus concorrentes no mercado de trabalho, já que minimiza os impactos negativos do seu desligamento, pois demonstra que, mesmo não necessitando mais dos serviços do executivo, a empresa o valoriza, o apoia no planejmaneto de sua carreira e oferece uma validação à sua contratação em outra empresa (ou projeto que optar conduzir).

O PROCESSO
O Outplacement não é simplesmente contribuir na recolocação, a atuação do processo é mais abrangente:

* Comunicação do desligamento do profissional;
* Auxílio na elaboração do currículo e da formatação do perfil em redes profissionais como Linkedin;
* Divulgação do perfil do profissional em consultorias de recrutamento e seleção e em empresas de headhunting;
* Apresentação do perfil do profissional a executivos de empresas com poder de decisão;
* Orientação no balanço da carreira, realinhando objetivos pessoais e profissionais;
* Desenvolvimento de networking e como cuidar desta rede;
* Orientação em técnicas de marketing pessoal e de negociação;
* Incentivo na busca de aprimoramento e desenvolvimento contínuo do profissional. 

ALVO
Não se iluda: Os alvos do processo de Outplacement são os executivos de alto escalão, embora existam algumas empresas que também oferecem esse apoio aos profissionais de média gerência, mas esses casos são mais raros.

Outra coisa: 
Se você já está desempregado e batalhando no mercado de trabalho, não acredite que deva contratar serviços de Outplacement ou ser "alvo" deste tipo de serviço, mesmo que seja executivo. Lembre-se esse é um processo de apoio, pela empresa que o executivo será desligado! 

CUIDADO
Muita atenção com as consultorias que oferecem serviços de Outplacement aos profissionais disponíveis! Como abordado no texto, esses serviços são contratados pelas empresas para apoiarem seus “executivos” (e às vezes, médias gerências) no processo de recolocação.

O que ocorre é que, muitas consultorias estão “vendendo” serviços de outplacement aos profissionais disponíveis e esse não é o foco de atuação de um verdadeiro especialista em outplacement. 

Existem muitas pseudo-consultorias e pseudo-profissionais de RH abusando do momento delicado de desemprego dos profissionais e oferecem serviços diversos, deturpando a essência verdadeira do processo. Lembre-se que, o desemprego virou um nicho de mercado e muitos querem lucrar com este delicado momento, portanto “não leve gato por lebre” e esteja muito atento. Não se desespere, pois ser racional é o mais importante em fase de desemprego.

Não perca os próximos artigos, abordarei Headhunting, Mentoring, Couseling, Coaching e Holomentoring.

Este texto é de propriedade intelectual de:
Simoni Aquino
Consultora em Gestão Estratégica de Pessoas

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cobrança à candidatos em processos de seleção. Fuja disso!

por Simoni Aquino
Fonte da imagem: Internet

Atendendo a solicitação de um leitor do Blog Além do RH, o tema de hoje será baseado em fatos reais, de acordo com a descrição realizada pelo próprio candidato, “vítima” deste tipo de conduta, no mínimo antiética. Leia abaixo o depoimento do profissional: 

“Fui contatado por um funcionário de uma consultoria de RH que se apresentou como “headhunter”, falou sobre uma oportunidade de trabalho em uma empresa de grande porte na minha região e que meu currículo havia sido selecionado. Informou a atrativa remuneração e interessado, compareci ao processo de seleção agendado na própria consultoria (que fica localizada fora da minha região de residência). Permaneci na consultoria das 8 às 12hs, onde realizei  diversos testes, duas redações e nos intervalos fui sendo entrevistado e apresentado à vaga pelo headhunter e num dado momento, fui informado de minha aprovação.

A última parte do processo foi a explicação de que a assessoria para o processo seletivo são custeadas pelas empresas em 100%, 50% ou não são pagas pela empresas. Disse que neste caso, a empresa custeava apenas 50% da assessoria e que o restante seria de responsabilidade do candidato aprovado, no caso eu, e que após o pagamento, eu seria encaminhado para a entrevista final na empresa-cliente. Justificou explicando que o custo seria para pagar a assessoria da consultoria que eles ofereceriam nos próximos 6 meses, e se antes da resposta desta grande empresa surgisse outra oportunidade melhor, eu seria encaminhado.

Informou que o pagamento seria:
- Pré-Contratação no valor de R$3.000,00 à vista ou R$3.800,00 divididos em 3 vezes.  Além deste valor, ainda teria que pagar a pós-contratação, ou seja, 20% do salário-bruto nos dois primeiros meses de trabalho. 

Expliquei que os valores estavam fora de meu orçamento e que se a decisão devesse ocorrer naquele momento, o processo poderia ser interrompido. O Headhunter chamou uma outra funcionária apresentada como Executiva de Carreira, esta me forneceu seu cartão e informou ser a responsável pela Consultoria, em seguida baixou os valores da pré-contratação para R$1.800 (à vista) e R$2.000 (em 3x) e que aguardaria uma resposta minha até o dia seguinte.”  

Lógico que o candidato ficou desconfiado, buscou orientação de profissionais de RH para saber se esta é uma praxe cotidiana e adequada e também pesquisou referências da tal consultoria no Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br) e obviamente não encontrou referências positivas a respeito da empresa. O resultado: o profissional não caiu no golpe!

O mercado de trabalho está extremamente exigente e cada vez mais, vemos muitos profissionais com dificuldades na recolocação, as contas continuam chegando e chega um momento em que a estima baixa, a motivação de buscar trabalho desaparece e o desespero toma conta. E esse tipo de golpe se aproveita da necessidade, da boa fé e por vezes, desse desespero e da fragilidade desse delicado momento, tornando os profissionais disponíveis mais vulneráveis e passíveis de cair neste tipo de golpe. 

Como busco isenção em tudo o que faço, analisarei a situação de maneira fria e sem me preocupar com o politicamente correto, pois sou sincera. Em casos de golpes não acredito que a culpa seja exclusiva dos golpistas. Obviamente que não! Se o golpista existe, é por que existem pessoas que ainda caem no “conto do vigário”, ou seja, pessoas que alimentam este tipo de conduta desrespeitosa. Se não existissem as pessoas que caem nos golpes, eles não existiriam.

O profissional disponível deve compreender que no mercado de trabalho nada cai do céu, nada é fácil, que as vagas não vão cair em seu colo, que é preciso muita dedicação para garimpar vagas e se candidatar apenas em vagas com seu perfil profissional. Manter-se lúcido, com estima equilibrada e com senso crítico apurados são essenciais para se colocar no mercado de trabalho de forma profissional e especialmente, racional.

O desespero e a vulnerabilidade não se justificam ao cair em golpes, sempre vemos reportagens em telejornais orientando os profissionais que não se utilizem de serviços onde a participação no processo seletivo é cobrada, ou ainda que o processo seletivo seja encaminhado para a empresa contratante, como neste caso em específico. Além do Procon, o site Reclame Aqui também é uma excelente fonte de referências e na dúvida, não aceite este tipo de cobrança.

Devo ressaltar que este tipo de “serviço” é muito diferente dos serviços oferecidos por empresas como Catho, Curriculum e tantas outras - que embora também sejam muito questionadas, são muito claras em relação aos serviços prestados, ou seja de encaminhamento e candidatura à vagas de trabalho. Não prometem recolocação e não possuem responsabilidade alguma pelo processo seletivo em si, que pertence à empresa que busca o profissional no mercado de trabalho.

Voltando ao “golpe” por mais que haja um contrato estabelecido entre as partes, este serviço é questionável do ponto de vista ético, pois as consultorias em via de regra, são contratadas pelas empresas para buscarem do mercado os profissionais que necessitam, ou seja, as empresas pagam para as consultorias. Dessa forma, não há porque cobrarem dos candidatos. 

Mesmo por que elas não podem oferecer garantia alguma que, chegando na empresa, o gestor requisitante irá aprovar o candidato encaminhado pela consultoria, uma vez que quem possui o poder decisório do processo de seleção não é a consultoria ou o profissional do RH e sim quem solicitou o profissional, e este tem todo o direito de se utilizar da empatia (o que é subjetivo) e de seus critérios específicos de avaliação para aprovar ou preterir o candidato. Além do mais, qual garantia o candidato tem a respeito da existência real da vaga? Neste tipo de golpe, as “empresas” são mantidas sob sigilo, por que será?

Além do mais, mesmo que o profissional viesse a conseguir o emprego, se não possuir as competências necessárias para exercer sua função, não se sustentará na posição e será demitido na experiência... Nenhuma consultoria no universo pode prometer que a empresa manterá o profissional após sua contratação, então por que cobrar do candidato mesmo após ser contratado? 

Conheça as variáveis mais comuns dos golpes de vagas de emprego:

- Empresas se apresentam como “consultoria de RH” e convocam o candidato para uma vaga com urgência e informa da grande chance de aprovação, já que o currículo é excelente e para motivar o candidato, dizem que a vaga praticamente já é dele e a entrevista é para apenas tratar de detalhes mais específicos. Entretanto, no momento da entrevista é informado que para prosseguir no processo de seleção e conquistar a vaga, a empresa contratante exige um teste psicológico que deve ser pago pelo candidato (o que gira em torno de R$250,00 à R$3.000,00 dependendo da posição). Há também uma variação, alegando sobre a necessidade da reformulação do currículo. Conclusão: o candidato paga e não leva, pois a tal vaga não existe.

- “Consultorias de RH” convocam o candidato através de contato telefônico, para participar de seleção para uma vaga muito atraente e no momento da entrevista, informam que a vaga foi cancelada pela empresa, mas informam que também estão trabalhando outra vaga, porém menos atrativa e solicitam pagamento de valores adiantados para terem acesso à vaga, uma vez que o currículo foi convocado para a vaga anterior.

- Há ainda a convocação de candidatos para uma determinada vaga normalmente muito atraente, mas que para contratação deve ocorrer a aquisição de kits dos mais diversos, ferramentas e outros materiais "de trabalho". Nesses casos, o objetivo é “embolsar” os valores pagos pela aquisição, uma vez que a vaga não existe. 

- Através de anúncios convocam candidatos processo seletivo. Durante o processo de seleção, os candidatos são aprovados pela empresa, mas a "contratação" fica condicionada à realização de algum tipo de serviço que não será remunerado sob a alegação de ser um teste ou período de experiência ou de treinamento. Na maioria dos casos, a contratação fica condicionada à vendas de determinados produtos ou serviços da empresa. Na realidade, a vaga não existe e o propósito é conseguir que o candidato trabalhe de graça durante um período ou que venda os produtos ou serviços para seus amigos e familiares, sem a necessidade de remunerá-los.

Existem inúmeras outras variáveis de golpes de trabalho, portanto muito cuidado! Só cai em golpe, que não se preocupa em desconfiar das facilidades do processo, quem não apresentar o mínimo de autocrítica para avaliar as regras do jogo. Se não tiver transparência, desconfie!

Algumas dicas interessantes para evitar o golpe de vagas de emprego:

- Pesquise na internet se a agência de emprego ou consultoria possuem reclamações ou processos na justiça por oferecer vagas de trabalho mediante pagamento. 
- Não se impressione com a localização física da consultoria em bairros nobres ou prédios pomposos.
- Verifique se a empresa tem fachada e placas de identificação no hall do prédio (tire fotos da fachada ou da placa indicativa).
- Solicite o cartão do profissional que conduzir o processo de seleção.
- Não assine nada no momento da proposta e solicite uma cópia do contrato sob a alegação de consultar um advogado de confiança - se a empresa não apreciar essa atitude e se negar, pule fora!
- Para profissionais que residem fora do município ou do estado de localização da consultoria, cuidado redobrado! Antes de se deslocar, pesquise a idoneidade da empresa e na dúvida, não compareça pois consultorias idôneas fazem o processo inicial pelo mundo virtual.
- Se a vaga for “boa demais”, desconfie e apure seu senso crítico.
- Verificar se a consultoria é associada à ASSERTEM - Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário, através de pesquisa no site www.asserttem.com.br.
- Se o contato disser que você é o candidato perfeito, mas que o pagamento deve ser realizado para prosseguir no processo, desconfie!

Não vamos generalizar e julgar que todos os profissionais de RH e consultorias de recolocação sejam antiéticas e desclassificadas. Em todas as profissões existem os bons e maus profissionais e obviamente que no RH, não é diferente! A maioria das consultorias são corretas e éticas e lembre-se: 
"Consultorias idôneas não cobram dos candidatos, pois já recebem das empresas contratantes!".

Existem empresas especializadas em recolocação de profissionais, prestando serviços como revisão de currículo, orientação de carreira e apresentação proativa do seu currículo para empresas que estejam buscando profissionais com o seu perfil. Esse serviço é chamado de Outplacement e nada tem a ver com os golpes abordados no presente artigo. Abordarei o Outplacement de forma mais aprofundada no próximo artigo.
Não perca! 

Abaixo, links de reportagens que abordam golpes no mercado de trabalho:







IMPORTANTE: 
Todos os envolvidos foram mantidos sob sigilo, por questões de proteção jurídica à mim enquanto escritora do texto, ao Blog enquanto divulgador do texto e ao profissional que vivenciou a situação apresentada.

Este texto é de propriedade intelectual de:
Simoni Aquino
Consultora em Gestão Estratégica de Pessoas
 

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