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quinta-feira, 15 de março de 2018

Stephen Hawking: um exemplo a ser seguido

por Simoni Aquino

Ontem, o mundo perdeu um dos maiores ícones da atualidade: o físico Stephen Hawking aos 76 anos.

Nascido em 1942 em Oxford no Reino Unido, no dia 8 de janeiro, coincidentemente no dia do 3º centenário de morte de outro ícone da física, Galileu Galilei. 

Os biógrafos relatam que até seus 9 anos era considerado um aluno comum, sem nada de extraordinário, embora desde muito cedo demonstrava interesse pela ciência. Em 1959 ingressou na University College em Oxford, para estudar física formando-se em 1962, depois foi para University of Cambridge onde cursou pós-graduação em Cosmologia onde passou a lecionar. Obteve o doutorado em 1966 e a partir de então, passou a atuar também como pesquisador.

Em 1963, aos 21 anos foi diagnosticado com ELA - esclerose lateral amiotrófica, uma doença rara, incurável e degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais. Na ocasião, não lhe davam mais de 2 anos de expectativa de vida, estava de casamento marcado com sua primeira esposa na qual foi casado por 26 anos e tiveram 3 filhos. Hawking foi casado ainda mais uma vez, sendo que com a segunda esposa, sua até então enfermeira, foi casado por 11 anos.

Devido aos efeitos da ação da ELA em seu corpo, gradualmente foi perdendo os movimentos, inclusive a força para manter a cabeça erguida, foi perdendo a capacidade de comandar toda a sua musculatura o que lhe incapacitou de andar e falar e passou a utilizar equipamentos desenvolvidos especialmente para ele, para poder escrever, se comunicar e manter seu ofício de pesquisador em plena atividade.

Na foto ao lado tirada em 2007, Stephen Hawking torna-se o primeiro tetraplégico a experimentar gravidade zero durante uma simulação de viagem espacial planejada pela Virgin Galactic no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). "Eu acho que a humanidade não tem futuro se não entrar no espaço", disse ele, que é autor da teoria da singularidade do espaço-tempo.


O que mais impressiona e nos serve como um exemplo a ser seguido, é que mesmo sendo portador de ELA desde tão jovem, Stephen Hawking manteve a sua obstinação pelo estudo e pelo trabalho de pesquisas de cosmologia teórica e gravidade quântica e de disseminação de conhecimento através de desenvolvimento de teoremas, aulas em cursos universitários e posteriormente, como escritor simplificando o entendimento das teorias de física para o público leigo e um dos mais renomados palestrantes.

E graças a seus feitos, foi condecorado com dezenas de medalhas e títulos por suas conquistas e teoremas, inspirou livros e filmes sobre sua incrível trajetória.

Sua força de vontade, sua obstinação pela vida, sua luta pela sobrevivência o mantiveram ativo até o final de sua vida. Enquanto nós, pobres mortais, reclamamos de tudo em nossas vidas às vezes por coisas tão menores que uma doença degenerativa, ele estava em pleno vapor atuando mesmo com todas as limitações físicas pelas quais passava.

Esse homem exemplar nos mostra que ter problemas, limitações e dificuldades todos podem ter e certamente o terão, o que varia de uma pessoa para outra é a forma como as pessoas lidam com as adversidades que a vida as apresenta. Superar é muito mais uma questão de atitude mental e boa vontade do que simplesmente a comodidade de sentar em cima do problema e ficar se lamentando porque a vida não foi tão generosa como pensamos que deveria ser.

A maior parte dos problemas são passageiros e a intensidade do sofrimento é que faz a demora na sua resolução, às vezes um problema pode ser facilmente superado de forma mais rápida se o encararmos com a possibilidade de enxergar o aprendizado que está sendo colocado à nossa frente, ao invés de reclamarmos, cheios de lamentação.

E você? E eu? E nós?
Estudamos, trabalhamos e batalhamos por nossas vidas como fez Stephen Hawking? Ou mesmo não tendo um problema tão grave quanto a ELA, nos acomodamos diante de nossos problemas, nos lamentando e reclamando da vida?
A vida e a trajetória  de Stephen Hawking nos inspira grande reflexões!



Gratidão Stephen Hawking não só por seu legado, mas principalmente por seu exemplo... descanse em paz!!!

Abraço e até a próxima postagem,

domingo, 13 de maio de 2012

Ana Amália Tavares Barbosa: Um exemplo de vida e perseverança!

Fonte das imagens: Fotógrafo Christian Tragni/Folhapress
por Simoni Aquino

Parabéns, Doutora! 
Pela conquista e pelo exemplo que nos deixa!
Não gostaria de encerrar esta excelente semana sem abordar um fato que me deixou extremamente emocionada e me fez refletir sobre o quanto somos limitados, mesmo sendo “aparentemente” perfeitos. Senti-me tão pequenina diante da grandeza da força de vontade de uma mulher chamada Ana Amália Tavares Barbosa.
Ana Amália tem 46 anos de idade e há 10 anos atrás, exatamente no dia que defenderia sua dissertação de mestrado, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no tronco cerebral, que a deixou com a síndrome do encarceramento - "locked in", ficou tetraplégica, além de tornar-se muda, deficiente visual e disfágica, ou seja, impossibilitada de mastigar e engolir, onde usa um cateter ligado ao estômago.
Diante de todas as limitações físicas e motoras, mas aproveitando que sua capacidade lógica, memória e de raciocínio se mantiveram intactas, ela venceu todas as barreiras e defendeu no dia 9 de maio de 2012 sua tese de doutorado na USP - Universidade de São Paulo, que foi desenvolvida utilizando apenas os poucos movimentos motores que lhe restaram: o abrir e fechar da boca e o piscar dos olhos.
Ana Amália escreveu sua tese ao longo de 3 anos utilizando um programa de computador desenvolvido especialmente para ela, onde o alfabeto completo aparece na tela onde as letras surgem destacadas a cada segundo, ela abre a boca para que seu queixo toque um sensor para escolher cada letra destacada e assim, formar as palavras.
Realizada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, ela levou 3 horas para defender sua tese, intitulada " Além do corpo: uma experiência em arte/educação", que é fruto de três anos de trabalho com artes visuais, realizado com um grupo de seis crianças com lesões cerebrais atendidas na Associação Nosso Sonho, na qual ela é professora (mais um exemplo de SUPERAÇÃO).
Recebeu o título de Doutora com “distinção e louvor”  e ao final da defesa de sua tese, a já doutora Ana Amália disse só uma palavra com os olhos: "Consegui".
Esse fato nos mostra o quanto somos limitados, o quanto somos fracos diante das adversidades que a vida nos impõe!
Podemos tirar tantas lições desta mulher, ela nos ensina que, mesmo diante de tantas adversidades, temos de nos manter íntegros e motivados para vencemos as barreiras existentes. Ela nos mostra o quanto somos capazes de ir além, até mesmo quando tudo e todos ao nosso redor parece ir contra nós. Ela nos mostra o quanto somos capazes de buscar o melhor para nossas vidas, desde que tenhamos força de vontade para superar as adversidades. 
Três gerações: Ana Amális, sua mãe e sua filha
 Ela é mãe! E uma mãe presente que educa sua filha de 11 anos...que a respeita, pois conhece pelo olhar da mãe quando está tomando uma bronca! Sua filha tinha apenas um ano e oito meses quando sofreu o AVC, mas aos poucos, ela aprendeu a interpretar seus olhares.
Vemos mães “normais” que não conseguem sequer educar seus filhos!

Quero deixar registrada minha admiração e que seu exemplo marcou profundamente minha vida e me fez repensar situações e valores, pois ao conhecer a história de vida de Ana Amália, a primeira lição que tirei foi a de não reclamar das coisas, das situações ou da vida! Pois como disse a mãe de Ana Amália: "Essa conquista significa ela ter deixado de ser vítima para conduzir a própria vida"!

Ao conhecer essa história, pensei na minha vida...refleti sobre meus valores e escolhas! E nos valores e escolhas da humanidade! Para onde vamos e para onde queremos ir e chegar à alguns anos?

Estamos acostumados à ver a notoriedade de BBB´s e de saber que Pedro Bial os chama de "heróis"... O que falar dessa mulher, professora, mestre e doutora? Essa não seria uma heroína genuína?
Como o ser humano tem se alimentado de futilidades e inutilidades! Tem deixado de ser, para exclusivamente "ter"!
No mercado de trabalho vemos tantos descontentamento... Será que não passou da hora de pararmos de reclamar de tudo e de agradecer a vida e capacidade que temos? Momento de refletir se não gastamos tanto nosso tempo e recursos financeiros com futilidades ao invés de investirmos em nós mesmos? Refletir se não gastamos tanta energia vital em reclamar ao invés de agirmos?
Quantas pessoas vemos reclamando da vida, do mercado de trabalho, das exigências das empresas, dos profissionais de RH, dos governos, dos salários e até mesmo da economia. E não nos damos conta o quanto poderíamos fazer de útil por nós mesmos, simplesmente por que somos capazes de nos movimentar, caminhar, correr, nos alimentar de alimento e de conhecimento.
O movimento de mudança é de nossa responsabilidade, basta querer. Ter vergonha de reclamar já seria um bom começo...partir para ação, também! Parar de dar desculpas esfarrapadas e delegar as responsabilidades que são nossas aos outros!
Achei muito interessante encerrar este artigo com a frase de Regina Stela Barcelos Machado, que foi orientadora de Ana Amália durante o desenvolvimento da tese e numa entrevista ao analisar a agora Doutora Ana Amália resumiu de forma muito pertinente: "A gente dá muita desculpa para o que não faz, vive muito na superficialidade e não vê as coisas importantes da vida."
 PORTANTO, QUANDO PENSAR EM RECLAMAR DE SUA VIDA, LEMBRE-SE DO EXEMPLO DA DOUTORA ANA AMÁLIA!
Para quem se interessar em ver as reportagens que abordaram essa vitória da Doutora Ana Amália, segue alguns links:
http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000502634 

http://rederecord.r7.com/video/tetraplegica-recebe-titulo-de-doutorado-na-usp-4fabc4b2fc9b3404db6f6a24/ 

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/05/mulher-que-so-mexe-os-olhos-e-o-queixo-defende-doutorado-na-usp.html

Este texto é de propriedade intelectual de:
Simoni Aquino
Consultora em Gestão Estratégica de Pessoas
 

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